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Conferência Brasil – China

A China, ah… a China!

“Começamos jogando futebol, no meio da partida passamos para basquete e não mais que de repente estamos numa partida de tênis. É preciso aprender esta dinâmica para fazer negócio na China”, estas foram as palavras de Frederico Fleury Curado, presidente da Embraer, que atua no mercado Chinês desde 1999, na 4ª Conferência Internacional do Conselho Empresarial Brasil-China, presidido pelo Embaixador Sérgio Amaral e realizado em São Paulo no último dia 21.
A China, ah… a China! O que pensam, o que farão, como sobreviveremos e nos relacionaremos com eles?
Em resumo, são essas as perguntas colocadas nos seminários sobre a China, e foram as que encontramos nessa 4ª Conferência.
O Embaixador da China no Brasil abriu o Congresso, conservador, poucas palavras, mas menção a nossa legislação trabalhista protecionista. O que será que o auditório pensou?
Na sequência, analistas falam das “raízes estruturais da incerteza” e da identidade nacional chinesa “as in a glass, darkly”. Falam da unidade estatal que para o chinês é análoga a religião, funciona como um credo de fé. Todos em uníssono repetem a mesma palavra “urbanização”. Cidades crescem, áreas agricultáveis se tornam cada vez mais escassas, a segurança alimentar e a justiça social são preocupações. David Kelly, diretor de pesquisas da China Policy e Professor da Universidade de Pequim diz que “a vida política chinesa ainda está formulando respostas”, mas ele se diz feliz por estar na China, pois não precisa conviver com nada americano. O sonho americano não florescerá na terra de Mao?
O painel que tratou do Intercâmbio Comercial trouxe surpresas. Claudio Frischtak informa que 57 empresas brasileiras foram identificadas operando na China. Segundo ele, o Governo Brasileiro precisa se aparelhar mais para ajudar o empresário brasileiro a entrar na China, instruindo, estabelecendo fóruns de debates dos problemas e representando-o melhor. Então é dada a palavra aos presidentes da Embraer, Vale e Brasilfoods, em tom ameno mas firme eles dizem que as dificuldades de lucratividade na China são enormes, que os chineses são resistentes a contratos de longo prazo e que as regras do jogo são mudadas a todo instante por isso é preciso “calma, persistência e consistência”.
A competição industrial vai além das fronteiras nacionais, hoje competimos com o mercado Chinês, onde há uma zona cinzenta entre empresas e Governo, através de vários investimentos e subsídios dos bancos estatais das Províncias, que são questionados pela OMC.
Enquanto o consultor dizia que o Governo brasileiro deveria se ocupar mais com a China o seleto time de empresários, polidamente diziam algo como “a China nos ignora, ignora o Brasil, não o tem como prioridade, somos absolutamente desconhecidos lá”. Se a China não quer o American Dream, nem o Brazilian Way of life, o que quer então?
Encerrando o Painel Intercambio, um empresário chinês que está no Brasil com 4 mil funcionários, entre chineses e brasileiros, diz que aqui os impostos são altos e complicados, há uma grande dificuldade de conseguir vistos de trabalho e “o brasileiro foca mais no procedimento do que no resultado”. Ela falou que para sobreviver no Brasil é preciso ter um excelente time tributário dentro da empresa, ao que concordamos.
Há consenso quanto às perguntas iniciais?
Não, concluímos que estamos longe de consenso. Depreendemos que a China em sua notável longevidade, dimensão geografica e expansão populacional é para si o centro do mundo. Mundo cujo eixo parece deslocar-se para confirmar essa percepção.
Assim, enquanto os Estados Brasileiros debatem entre si a validade, legalidade e constitucionalidade dos benefícios fiscais concedidos em virtude da falta de uma política de desenvolvimento nacional, permanecemos ignorados pelo Grande Dragão Vermelho pela nossa pouca capacidade competitiva diante do mercado mundial.

 

Autor: Liz Marília Vecci / Fernanda Terra
Advogadas tributaristas do escritório Terra, Pimentel e Vecci Advogados.
Goiânia, 04 de Dezembro de 2012.

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